Um Amor (Platônico) para Recordar
Hoje vou dedicar essa postagem a ALGUÉM ESPECIAL.
Mais que um amigo, ele foi uma grande paixão da
adolescência.. Um dia cheguei a pensar que ele fosse o amor da minha vida e
como se diz que só se ama uma vez, pensei que nunca conseguiria amar outra
pessoa.. (Ainda bem que estava errada!).
Ele era PERFEITO, sem exageros, quem o conheceu
vai concordar comigo.
Além dele ser um homem lindo o que chamava mais
atenção nele mesmo era sua personalidade, sua simplicidade, seu carisma e
principalmente sua INGENUIDADE.
Ele não tinha maldade, era um gentleman e sabia
fazer quem estava perto dele a pessoa mais feliz do mundo.
Lembro-me de tantas coisas, das suas brincadeiras,
do seu olhar e da tristeza que ele carregava dentro do peito e que ninguém via,
nem mesmo EU...
São tantas histórias...
A minha melhor amiga da época (eu tinha 16 anos -
a melhor fase da minha vida), vou chamá-la aqui de Ana, era apaixonada pelo
irmão dele, então, ficávamos o dia inteiro passando em frente a casa deles
esperando que eles saíssem para a calçada e para dar um ar de acaso,
esperávamos para encontrá-los e falar com eles.
Coisas de adolescente... Mas era muito
divertido...
Em outra ocasião passamos o dia intereiro gravando
uma fita cassete (é o novo!) com frases, histórias, brincadeiras e declarações
para entregarmos a eles.
Lembro de algumas frases que colocamos. Numa delas
eu disse: _ Fulano, a Ana tá aqui só de calcinha falando essas coisas pra ti.
Ela se assustou e retrucou: _ e a Dani que tá só
de sutiã...
Bolávamos de rir com as loucuras que falávamos...
E o que é pior, entregamos de fato a fita, mas
eles não tiveram nenhuma reação, digamos, marcante...
Tenho curiosidade em saber que fim levou essa
fita. Gostaria de rir novamente com ela.
Meu maior problema na época era a IMATURIDADE. Eu
não soube lidar com ele e por conta disso brigávamos bastante. Passávamos
tempos sem nos falar.
Ele me dava flores e eu jogava no lixo na sua
cara...
Eu passava em frente a sua casa e ele para me
provocar pegava o violão e cantava:
♪ Você é linda, mais que
demais... ♫
Eu me segurava mas, por dentro, só Deus e eu
sabíamos...
Sempre voltávamos a nos falar através de bilhetes.
Era fácil, pois estudávamos juntos.
Mas em uma das brigas acabou que perdemos o
contato, pois ele mudou de colégio e depois eu vim morar em Fortaleza.
Foram dois anos sem se falar e sem se ver até que
eu voltei para Quixeramobim (minha terrinha) por conta das eleições.
E lá estava ele na fila...
Eu nunca quis tanto que uma fila não andasse como
naquele dia.
Foi quando eu vi uma aliança em seu dedo. Eu gelei
e perguntei se ele havia casado.
Para meu alívio ele respondeu negativamente e
falou que era de sua mãe que havia falecido de câncer.
Eu já sabia da morte dela e sabia também que,
claro, ele sofrera muito, mas eu não imaginava o quanto. Fui saber tempos
depois.
Passaram-se mais dois anos e nos encontramos no
máximo umas três vezes. Nesse período soube de dois namoros dele e eu segui
minha vida também mas, sem esquecê-lo e aguardando o momento certo de voltar e
dizer que continuva a gostar dele. Até que um dia eu recebi uma mensagem de uma
amiga no celular...
Na primeira linha que visualizei, dizia:
Dani, tu lembra do
Gyl?
Claro que eu lembrava... Com essa frase eu pensei
que ele tivesse perguntado por mim, que tivesse querendo saber de mim.
De repente, em segundos, o sentimento de
expectativa e esperança que eu senti mudou para surpresa, angústia e grande
tristeza, pois o restante da mensagem dizia:
... ele acabou de se matar com um
tiro no peito.
A mensagem foi exatamente essa, sem nenhuma
alteração.
E naquele instante eu morri também (eu pensei)
mas, não. Eu estava viva e ele morto.
Tudo premeditado...
Pagou um plano funerário sem carência; deixou
mensagens nas paredes de seu quarto e do celular; escolheu a roupa e as músicas
que tocariam em seu velório e se matou com a arma do cunhado que era policial.
Tudo porque não suportara a morte da mãe.
Não o julgo, não o condeno, não o odeio por essa
sua atitude, mas ainda sinto SAUDADES e arrependimento de algumas coisas que
deixei de fazer ou dizer a ele. Poderia ter sido diferente... Mas se o destino
quis assim eu aceito e resigno-me a guardar as boas lembranças que tenho dele.
Mas é nessas horas que eu queria acreditar que
existe vida após a MORTE...
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